O que me levou a atuar no Direito da Saúde?
- Ramon Andrade

- 8 de mai. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 22 de mai. de 2025
O Direito da Saúde nunca foi só uma especialidade para mim. Ele nasceu do silêncio, da demora e da impotência.
Minha mãe teve um linfoma não-Hodgkin — um câncer agressivo, que só foi diagnosticado após meses de negativas do plano de saúde. PET scans foram negados. Medicações essenciais como o Granulokine, também. O que era para ser cuidado virou resistência. O plano criou barreiras onde só havia urgência.
O que me levou a atuar no Direito da Saúde? Foi esse momento. Ver de perto como o sistema falha com quem mais precisa. E como a justiça, às vezes, é a única resposta possível.

Na época, eu ainda era estudante de Direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). E, como acontece em muitas faculdades, Direito da Saúde não era sequer uma disciplina. Nenhuma aula, nenhum debate, nenhuma orientação.
Eu não procurei esse conhecimento naquele momento. Mas anos depois, já formado, enxerguei o que vivi com clareza: a judicialização da saúde não é um excesso — é uma necessidade criada por falhas sistemáticas.
Foi aí que comecei a estudar profundamente essa área. Desde então, venho me dedicando a entender as entranhas do sistema: o que se pode fazer quando ele falha, o que já foi garantido por decisões judiciais e quais caminhos legais ainda podem ser abertos para garantir tratamento, dignidade e proteção.
Essa caminhada me levou também para fora do Brasil. Morei nos Estados Unidos, em Dallas, e cursei parte do meu mestrado na Universidade Paris III – Sorbonne-Nouvelle, na França. Essa experiência internacional me ensinou a pensar fora do eixo habitual — e hoje isso se traduz em teses criativas e estratégias que muitas vezes incorporam argumentos baseados em tratados internacionais, decisões de cortes estrangeiras e diretrizes da OMS.
Atualmente, estou vinculado à Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), um dos maiores centros de pesquisa em saúde pública do mundo. Lá, desenvolvo estudos voltados à efetivação do direito à saúde e ao aprimoramento de políticas públicas. Esse trabalho alimenta, em tempo real, minha atuação prática: entender como o sistema se organiza (ou desorganiza) e buscar soluções jurídicas à altura dos desafios.
Este artigo é o primeiro de uma série. Nele, compartilho não só uma trajetória pessoal, mas a base do que você encontrará nos textos que publico aqui: conteúdo técnico, acessível, direto — com escuta e estratégia jurídica.
Se você chegou até aqui, talvez também esteja enfrentando alguma urgência. Este espaço é para quem busca se informar, se proteger e, se necessário, reagir.
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